Review | Uma Aventura LEGO (2014), de Phil Lord e Christopher Miller

Batman - Uma Aventura Lego

Em um mundo onde as crianças cada vez mais cedo deixam de lado os brinquedos tradicionais e se aproximam da tecnologia, é interessante ver a invasão dos tradicionais Legos em um longa animado. As peças de montar fizeram parte da vida de muita gente e, para gerar saudosismo nos adultos e encantar as crianças da nova geração, Hollywood decidiu levar os personagens às telonas. Quem brincou de Lego não vai estranhar as malucas aventuras que o filme traz, e é justamente por exercitar o tão maravilhoso mundo da imaginação que “Uma Aventura LEGO” é uma ótima pedida da temporada.

A trama acompanha Emmet, um lego comum que vive seguindo à risca as instruções não só no trabalho, mas também na vida pessoal. Ele faz a mesma coisa todos os dias e é feliz seguindo as regras até quando percebe que ele não faz a diferença. Sem amigos, Emmet passa despercebido pelos seus colegas de trabalho e não tem relações interpessoais. Depois de mais um dia de trabalho, ele conhece Megaestilo, que procura a peça de resistência, essencial para salvar o mundo. Mas é Emmet que encontra a peça e é considerado o escolhido por uma antiga profecia para enfrentar os males causados pelo Senhor Negócios.

Os diretores e roteiristas Phil Lord e Christopher Miller, responsáveis por “Tá Chovendo Hambúrguer”, desenvolvem uma história repleta de ação do começo ao fim da projeção. Não existe espaço vazio na trama, o que pode até embananar os espectadores mais novos, mas não exclui em momento algum a diversão das pirotecnias  técnicas e narrativas da animação. Chega a ser impressionante a autoridade com que a obra se coloca em tela, segura do que tem de bom a oferecer ao espectador.

Emmet é absurdamente carismático e jamais impede que os coadjuvantes também brilhem durante a projeção. A inserção de super-heróis como Batman (hilário), Superman e Lanterna Verde e personagens da cultura pop geram ótimas piadas, sempre muito bem pontuadas pelo roteiro, que não atropela as gags, desenvolvendo-as com cautela e, o mais importante, funcionando sempre. O ritmo certeiro da película ajuda para que o público não perca o interesse pela história e crie empatia com os conflitos dos personagens.

Por outro lado, o roteiro peca pela insistência em reforçar inúmeras vezes o quanto Emmet não é especial, para que a lição, ao final da projeção, possa funcionar. Mas o tiro sai pela culatra, pois desde cedo é possível saber aonde a trama quer chegar. O terceiro ato também passa por uma quebra radical do formato animado, necessária para a compreensão da trama, mas de gosto questionável. As falhas da narrativa são compensadas pela megalomania dos efeitos visuais e das estratégias de animação utilizadas para construir aquele universo de brinquedo.

O time de dubladores brasileiros em nada deixa a desejar, o que é raro para animações que precisam adaptar algumas piadas. Todos estão em perfeita harmonia e recriam os personagens com competência. O formato tridimensional ajuda na criação da profundidade de campo dos cenários, além dos habituais arremessos de objetos em direção ao espectador. Ainda assim, o 3D não é indispensável para o sucesso da obra, já que o desenvolvimento artístico da animação se sobressai.

“Uma Aventura LEGO” prova que é possível divertir adultos e crianças sem questionar a inteligência de quem assiste, tendo nisso o seu maior êxito. É praticamente impossível sair da sessão sem dar mais de uma risada e, principalmente, sem ter vontade de brincar de montar e criar histórias malucas de heróis e vilões. Com uma sequência já planejada, Phil Lord e Christopher Miller garantem mais uma franquia bastante bem-vinda na indústria da animação.

Avaliação: 8/10

Texto originalmente publicado no Cinema com Rapadura.

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