Crítica | Quarteto Fantástico (2015), de Josh Trank

Quarteto Fantástico, de Josh Trank

Avaliação: Ruim ★☆☆☆☆

Instaurou-se no cinema comercial um produto chamado “filmes de super-heróis”, os maiores alvos de sequências, remakes e reboots. Acredita-se que a magia disso tudo está em alimentar a memória afetiva dos jovens adultos, que consomem cultura pop o tempo inteiro, ao mesmo tempo que inicia novos seguidores.

Na realidade, a magia está mesmo na bilheteria fácil, quase sempre grandiosa, que gera um ciclo vicioso de novos subprodutos, histórias semelhantes e um acúmulo de lixo audiovisual, enquanto a criatividade cinematográfica se resume, também quase sempre, a um monte de efeitos visuais que causam a impressão de algo bom. Não é. Tais filmes demonstram há um bom tempo que, essencialmente, já não são tão interessantes assim, mas enquanto houver demanda, continuarão sendo feitos.

Dito isso, não é surpresa que, pela quarta vez, não tenhamos uma boa versão de “Quarteto Fantástico”. Pelas mãos da Fox, a produção turbulenta dentro de um orçamento não tão generoso (cerca de US$ 120 milhões) rendeu um reboot preguiçoso cujos personagens são dotados daquilo que é mais pavoroso no cinema: falta de empatia.

As mudanças das origens dos personagens podem incomodar os fãs mais rigorosos, mas é o menor dos problemas. Os roteiristas (três, diga-se de passagem) podem criar em cima do material original, principalmente com a intenção, inicialmente boa, de atualizar a trama ou humanizar os personagens. Aproximá-los do público é um bom trunfo se bem desenvolvido. O problema é que seis mãos escreveram um script repleto de diálogos rasos, que acentuam os clichês e geram interesse zero em esperar pelo final, sem surpresas.

O primeiro ato de “Quarteto Fantástico” passa vagarosamente. Enquanto estabelece a relação entre os futuros heróis, o roteiro esquece de preparar uma abordagem mais politizada para eles. Se tem uma coisa que bons filmes desse tipo nos ensinou (nas boas experiências como “Guardiões da Galáxia”, talvez o melhor dessa recente safra) é que a ação não pode ficar em segundo plano.

Aqui, a ficção científica é tão pobre quanto seus personagens. Esperar a transformação deles em super-heróis é um fardo a ser carregado durante os 100 minutos de projeção, sem perder para o vilão canastrão que nos é apresentado. O elenco principal não se dedica muito para fazer alguma coisa que os caracterize como bons super-heróis e o único arco que aparenta que pode dar certo (a relação entre Reed e Ben após a transformação) é desperdiçada.

O diretor Josh Trank também não se esforça na realização do longa-metragem, confiando-se na finalização dos efeitos visuais para dar significado ao que é abordado. Não basta. Não há nada que impressione, o que é fatal para um filme pobre: ele passa a ser comparado com outros que já foram apresentados e se coloca, involuntariamente, em um limbo ausente de crenças que um dia possa dar certo.