Crítica | Alien, o Oitavo Passageiro (1979), de Ridley Scott

Avaliação: 4.5/5

O lado bom de tantas sequências e reboots que a ambiciosa Hollywood lança todos os anos é justamente a possibilidade de sempre poder voltar aos filmes originais.

uase 40 anos depois, “Alien, o Oitavo Passageiro” inspira jovialidade e perspicácia cinematográfica. Se em 1968 Stanley Kubrick realizou uma viagem espacial inacreditável para a época ao lançar “2001: Uma Odisseia no Espaço”, o filme de Ridley Scott não fica atrás. Ambos se utilizam do que há de melhor da tecnologia para construir cenários futurísticos, mas não é apenas o conjunto de efeitos visuais que faz desses dois filmes bons exemplos do passado.

Especialmente em “Alien, o Oitavo Passageiro”, Scott entende a perfeita construção do suspense, quase hitchcockiana, ao colocar os seres humanos em conflito com seres de outro mundo. No filme, esse contato revela muito mais do que uma ameaça à humanidade, mas também re磙ete sobre a curiosidade sobre o universo.

Um dos pontos interessantes do filme original é que Scott precisa apenas de um vilão para elaborar toda a jornada perigosa da nave Nostromo. Os tempos do filme são utilizados com primor, a partir da construção do silêncio e da atmosfera de perigo e isolamento. Scott entende que o seu monstro é letal, mas não entrega logo de cara o que ele é capaz de fazer. Ainda hoje é possível se assustar com a trama, não exatamente pela questão gráfica do inimigo, mas por todo essa dramaturgia.

Scott também faz de Ripley, papel eternizado pela atriz Sigourney Weaver, uma heroína forte, empoderada e inteligente. Ela não é a típica mocinha boba que se salva por ser bonita. Pelo contrário, ela é a heroína por saber lidar com a crise que se instala em sua equipe.

“Alien, o Oitavo Passageiro” continua atual, seja em termos tecnológicos ou narrativos. A sensação de novidade também favorecia o filme na época e, anos depois, por mais que não seja inovador, Scott conseguiu deixar sua marca criativa que foi tantas vezes reproduzidas no decorrer do tempo.

Depois desse grande exemplar, a franquia “Alien” não conseguiu se manter original. Usada como vitrine para novos cineastas em seus respectivos anos de lançamentos, deu oportunidade a nomes como James Cameron, David Fincher e Jean-Pierre Jeunet, que jamais conseguiram repetir o feito de Scott.

Aliás, a visão de Cameron em “Alien, o Resgate” (1986) de transformar um suspense psicológico em um filme de guerra pode ter contribuído para o sucateamento do universo alien inicialmente proposto, fazendo sua parte para que a série aderisse à megalomania desnecessária e sem volta.

Publicado originalmente pelo autor no Jornal Diário do Nordeste.